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Diabos à solta em Amarante - Encenação com influências de "Circo du Soleil" deu cor à noite amarantina

25-08-2010 21:49

"O casal mais famoso de Amarante, o diabo e a diaba, voltou a passear pelo Centro Histórico de Amarante, assustando as almas penadas que na noite do passado domingo começaram a vaguear bem cedo e em grande número pelas ruas. A recriação, a cargo do Ateliê Teatro de Rua, deu mais um contributo para o renascimento de uma tradição, que remonta ao século XVII, a do culto a duas figuras históricas que, desde tempos idos, estão à guarda do Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso.

Numa tentativa de vender os diabos de Amarante como "um produto turístico", a autarquia local pegou em cerca de 30 mil euros e foi ao baú das memórias resgatar a tradição que até há quatro anos atrás era desconhecida pela esmagadora maioria dos amarantinos. "Mas que fazia furor no passado, garantiu o vereador da Cultura, Abel Coelho.

As imagens, do diabo e da diaba, originárias da Índia, tornaram--se rapidamente objecto de culto. Reza a história que as imagens dos diabos, num primeiro momento foram queimadas pelos franceses nas invasões napoleónicas.

Mais tarde, por imposição do povo, um artesão que vivia na Rua do Seixedo, em Amarante, reconstruiu-as a partir da memória colectiva. Por intervenção do rei D. Pedro V e da arquidiocese de Braga as figuras foram amputadas dos órgãos sexuais. As imagens foram escondidas, mas mais tarde Albert Sandeman, homem do Vinho do Porto, interessou-se por elas, comprou-as e levou-as para Londres. Lago Cerqueira, amarantino de gema, então a desempenhar o cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros, conseguiu fazê-las regressar a Amarante..

Esta foi a história dos "diabos de Amarante" que, anteontem, à noite, foi contada por cerca de quadro dezenas de actores e figurantes num palco não convencional, com fogo, efeitos especiais, projecções multimédia e performance aérea. As influências do Cirque du Soleil, salvo as devidas diferenças, eram notórias, a começar pelos ensaios. "Apenas quatro". "Foi uma autêntica festa popular. A espontaneidade e a energia existentes substituíram cerca de um mês de trabalho. Nós somos muito competentes do ponto vista plástico", justificou, Nuno Paulino, responsável pela encenação."

 
  ANTÓNIO ORLANDO in JN Jornal de Notícias - http://jn.sapo.pt/VivaMais/Interior.aspx?content_id=1647199